quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Agosto num naco de carne


Agosto. Agosto e Janeiro. Janeiro porque é frio, cinzento, um mês de espera longa de dias breves e céu opaco que repousa como um manto cinzento, pesado. E o frio. E o nada acontecer. Uma sequência de minutos, horas, dias, semanas a fio sem que nada se faça se não esperar a alvorada e o dealbar de um tempo de esperança.
Agosto porque foi sempre mês de demoras longas e ausências dilatadas. Que chegasses. Que tivesses tempo, vontade para aproveitar a vida que se passeava a teu lado sem que reparasses, ensombrado por afazeres imperiosos que me colocavam em espera, a nós em suspenso. Janeiro virá, Janeiro de esperas longas. Espreito o fim de tarde e vejo a tarja de mar que me acompanha sempre que me abeiro da cozinha, a tarja de mar cinzento, azul, prateada ao pôr-do-sol, mutante ao longo do ano e vou agradecendo a graça deste Agosto contigo. Prazeres pequenos inconfessáveis, coisas só nossas, cumplicidades que não permitem palavras. Chamas-me de lá de fora enquanto juntos respiramos a tarde que se abandona lentamente nos braços da noite. Chamas-me para ver o luar de Agosto que se adivinha Vem ver a lua! e eu vou e sei que hei-de ter saudades deste Agosto.

Naco de carne com gratinado de cogumelos

Ingredientes
Três nacos de carne de vaca para assar com cerca de três dedos de altura
250g de cogumelos (usei brancos mas fica melhor com shitake ou Portobello)
½ pacote de natas
2 gemas de ovos
Queijo Parmesão
Alho
Cebolinho
Azeite
Sal e pimenta preta acabada de moer

Preparação
Temperar os nacos de carne com sal e pimenta preta acabada de moer. Lavar os cogumelos e parti-los em quartos. Numa frigideira quente, deitar um fio de azeite e uma noz pequena de margarina e saltear os cogumelos. Quando estiverem quase prontos deitar o alho picado. Deixar saltear mais para cozinhar o alho sem queimar e, por fim, temperar com sal e pimenta. Reservar.
Aquecer muito bem uma frigideira antiaderente, deitar azeite e selar a carne. Deixar ficar no ponto desejado. Como éramos três com gostos diferentes, dois nacos ficaram mais bem passados e um ficou mal passado. Passar os nacos para uma assadeira ou um prato que possa ir ao forno.
Bater o meio pacote de natas até ficarem firmes, juntar as duas gemas de ovos e mexer. Deitar por último o cebolinho cortado, usei uma tesoura de ervas aromáticas. Colocar os cogumelos neste preparado e envolver tudo.
Com uma colher de sopa deitar a mistura de cogumelos e natas por cima de cada naco de carne. Polvilhar com parmesão acabado de ralar e levar ao forno a gratinar. O tempo de cozedura no forno depende mais uma vez do gosto de cada um. Neste caso esteve apenas o suficiente para gratinar mas como o forno não estava muito quente terão sido uns quinze minutos
Este prato é indicado para os carnívoros empedernidos e faz grande sucesso cá em casa. Embora tenha a mania das invenções na cozinha quase segui à risca esta receita do Gordon Ramsay que, tal como o naco de carne com gratinado de cogumelos, faz grande sucesso cá em casa. Acompanhei com beringela e tomates italianos grelhados e foi regado com Mateus Emotions numa mesa bem-disposta e coroada de carinho com a luz de Agosto a entrar-nos pela vida. 


9 comentários:

CNS disse...

Adorei o texto, Leonor. E a comparação com Janeito. O naco, lá terei de experimentar, não é verdade? ;)

CNS disse...

Janeiro.

Leonor disse...

Experimente, Cristina. É muito bom mesmo. Esta foi a segunda vez que o fiz e só veio confirmar como é delicioso.
Beijinhos

são33 disse...

ESSA CARNE DEIXOU -ME COM FOME , ESTA COM UM ASPECTO TENTADOR.
BJS

Leonor disse...

Nada como experimentar, São :)
Beijinhos

Mané disse...

bom texto :) :) :I
Carninha boa ;)
Bjs

teimosita disse...

Texto maravilhoso! E a carninha? Não lhe fica atrás garanto. Eu comi e como estava bom! Divino! Beijinho :)

Leonor disse...

Obrigada, Mané ;)
Beijinhos

Leonor disse...

Ahahahahahah, minha mãe, vou-te nomear a minha provadora oficial. Este Agosto também é bom por poder aliviar-te da cozinha e proporcionar-te/nos estes pequenos prazeres :)
Beijinho